• Raniere Figueiredo

O CONSCIENTE COLETIVO DO ESPECTADOR

Atualizado: Fev 22


Sabemos que o cinema é a arte de contar historias através de imagens e contar histórias é o mesmo que narrar uma experiência vivida por alguém (herói) em uma determinada situação, Com sua subjetividade (modo de compreender as coisas) o herói supera tal acontecimento, transcendendo para um outro estágio. Compreendido em transcender, ele é acometido por diversas emoções à medida em que evolui em sua trajetória. Um bom narrador tem a missão de fazer com que seu ouvinte (espectador) sinta da mesma maneira que as personagens da sua historia sentiram ao viverem determinados acontecimentos.


Existe um nível do consciente humano chamado de consciente coletivo. Consciente Coletivo é uma teoria social de Émile Durkein, (DURKEIN, Émile– Lições sobre Sociologia, p. 129), que "pretende” demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar e interpretar a vida, podem-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base do que Durkeim chama de consciência coletiva. Essa consciência coletiva é definida como resultado da experiência coletiva de membros de determinados grupos sócio-culturais. Ela é criada através de valores religiosos, culturais e políticos entre indivíduos que possuem a mesma experiência de vida.


Pessoas católicas podem se emocionar em ver uma imagem de Jesus Cristo na Via Crucis; os índios de determinada tribo podem ficar temerosos e desconsolados quando presenciam a cena de um eclipse solar; judeus podem ficar furiosos ao verem uma suástica, alemães de hoje em dia se sentem envergonhados ao verem uma foto de Adolf Hitler, enfim, são inúmeros os exemplos existentes para demonstrar como as pessoas que possuem a mesma experiência de vida podem sentir a mesma emoção quando expostos a determinadas imagens com signos significantes, comuns a sua psiquê.


Então, por que não usar imagens devidamente elaboradas, tendo em vista os signos presentes no consciente coletivo que os espectadores compartilham, a fim de fazer-los sentir através delas? Tento em conta as idéias de Durkein, podemos afirmar que se apresentarmos determinados estímulos visuais que contenham determinados signos significantes, poderemos afetar o consciente coletivo do espectador através de informações codificadas e assim fazê-lo sentir da forma como planejamos.


Se a imagem é a primeira informação que chega na mente dos espectadores quando assistem a um filme e sabendo que através dela é iniciada uma infinidade de associações mentais, conscientes e inconscientes, que culminam em sensações e conclusões lógicas, podemos afirmar que a fotografia no cinema exerce um papel importantíssimo, senão o mais importante, para criação de significados e emoções na mente do espectador.



BIBLIOGRAFIA

- DURKEIN, Émile– Lições sobre Sociologia, p. 129

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