• Raniere Figueiredo

A FOTOGRAFIA NO CINEMA

Atualizado: 19 de Mar de 2018




O cinema é a arte de contar histórias através de imagens em movimento, porém esse movimento é uma ilusão. Isso ocorre através de um processo fotográfico baseado na captura de fotografias estáticas e seqüenciais de um mesmo objeto, que são depois projetadas na velocidade mínima de 16 fotos por segundo. Devido a incapacidade cérebro humano de processar separadamente mais de 15 informações visuais estáticas por segundo, a ilusão de movimento é criada, pois não conseguirmos detectar a interrupção entre uma imagem e outra.


O movimento cinematográfico é uma ilusão, é um brinquedo ótico. A imagem que vemos na tela é sempre imóvel. A impressão de movimento nasce no seguinte: “fotografa-se” uma figura em movimento com intervalos muito curtos entre cada “fotografia” (= FOTOGRAMAS). São vinte e quatro fotogramas por segundo que, depois, são projetados neste mesmo ritmo. Ocorre que o nosso olho não é muito rápido e a retina guarda a imagem por um tempo maior que 1/24 de segundo. De forma que, quando captamos uma imagem, a anterior ainda está em nosso olho, motivo pelo qual não percebemos a interrupção entre cada imagem, o que nos dá a impressão de movimento contínuo, parecido com o da realidade. (BERNADET, Jean Claude - O que é Cinema? p.126)

Porém, a criação da imagem cinematográfica vai além da mera captação de fotografias seqüenciais. Para criar uma imagem expressiva, diretor em parceria com o diretor de fotografia trabalham com recursos sofisticados, tais como enquadramento, iluminação, composição e movimentação de câmera,


O diretor de fotografia procura vários objetivos ao escolher seu ângulo. Ele pode querer acentuar a face real objetiva do objeto buscando, neste caso, os contornos que expressam adequadamente determinado caráter do objeto, ou pode se interessar mais em mostrar o estado de espírito do personagem. (...) O enquadramento e o ângulo podem fazer com que as coisas se tornem adoráveis, odiosas, aterradoras ou ridículas, à sua vontade.” (BÉLA, Balázs - Subjetividade do Objeto – In: XAVIER, Ismail (Org) A Experiência do Cinema, p.97)

É possível criar um sentido que a imagem não possui à primeira vista dependendo da forma com que se enquadra e se ilumina um objeto. Por exemplo, enquadrado por entre as pernas do seu oponente, um boxeador aparece nitidamente em condição de inferioridade no filme The Ring (Alfred Hitchcock, Reino Unido, 1927). Iluminado sob uma luz fraca e com o rosto cheio de sombras um assassino adquire o ar de tenebroso, misterioso e medonho no filme M - O Vampiro de Dusseldorf (Fritz Lang, Alemanha, 1931).


A fotografia no cinema é a ferramenta mais imediata para o diretor, profissional que tem como obrigação doar uma visão especifica aos acontecimentos contidos no filme, pois além dela deter a técnica de captar as imagens do mundo real que futuramente chegarão aos olhos do espectador em forma de informação visual em movimento, com ela é possível criar novos sentidos a um objeto e estimular o sentimento de empatia no espectador.



BIBLIOGRAFIA:


  • BÉLA, Balázs - Subjetividade do Objeto – In: XAVIER, Ismail (Org) A Experiência do Cinema, p.97


  • BERNADET, Jean Claude - O que é Cinema? p.126


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